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domingo, 23 de setembro de 2012

O BARRO DE DENTRO

Nasci cercado de barro e barracos

e campinhos de futebol onde pés

já nasciam sangrando pedras.

Havia valas profundas

com imitação de peixes coloridos.

Girinos pretensiosos.

Mergulhávamos nas valas,

com esgoto pelos joelhos.

Arrumávamos guerras.

Meu agrupamento era imaginário.

Sempre perdia o beijo da colega,

Princesa do Além-Do-Muro.

Lembro das que andavam só de calcinha.

As mães vigiavam seus percursos.

Era preciso.

Princesas que ainda não tinham peitos.

Como nós que não tínhamos pelo por lá.

Assim, meu primeiro poema nasceu no barro.

O barro me tomou a partir dos pés.

Até a alma trago suja em barro.

Um barro de antes.

Onde o amigo Roberto Páscoa?

Onde a amiga Leninha?

Trago-os moldados no barro de dentro.

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