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sexta-feira, 2 de novembro de 2012

A DONA MINHA PARENTA (NOSSA VIDA COMO É)

A Dona, Minha Parenta,
Vende uma casa com tudo
Da vida, como ela é nossa,
Em carne, rubor e prosa,
Soando em tábuas rangentes
Vozes de loucos parentes
Com seus pecados rotundos.
Vende esta casa imunda,
De conteúdo bem sacana
E parentela sem prumo.

Com gozos ao pé da escada,
Revelando pés, virilhas,
Incestos, taras, manias,
E a nudez mal castigada
De um anjo retraído,
É esta casa formada
De recônditos desejos.
A Dona, Minha Parenta,
Vende, mesmo a baixo preço,
Seus caros, profanos, veios.

Vende jogador e puto,
Vende velho dissoluto,
Vende pai incestuoso,
Vende moça virgem-puta,
Vende amante em pleno gozo,
Vende moço na banheira,
Vende cozinheira boa,
Vende aeromoça, beata,
Vende marido com saia
E mulherão com biquini

A passear pela sala,
Té puta de Mancha Roxa,
Vende moço arrependido
E traída namorada,
Vende moçoila lesada,
Vende mulher costureira
Com carne na geladeira,
Vende dançador de tango
Noivinha pronta, mãezona
Com fogo no pé-da-cona.

Mas pra não dizer que engana
Eventuais compradores,
A Dona Minha Parenta
Permitiu vocês aqui,
Colhendo em nós vossa flor
De inconsciente matiz.
E até vi vocês vibrarem,
Despidos de preconceitos,
Os seus abertos sentidos
Despetalados no espaço.

E se, na primeira olhada,
Não deu pra sentir a casa,

Não dando convencimento
Do preço que é colocado,
Para que não haja engodo,
Voltem, que este lar ruidoso
Sempre estará remexendo
Seu segredo mais gozoso,
Pegajoso e remelento,
Como se fosse dos outros.
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