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quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

TEMPO COM MANCHAS

Existir como ser em ruínas?
Uma palavra clara para miséria!
Pisei o jardim pleno de massinhas vermelhas.
Mas as flores sumiram.
O cão na faixa de gaza as devorou.
Foi gerado por um raciocínio manco.
Criado por neutralidades nubladas.

Tenho de continuar apesar dos mortos na rua.
Confesso que quis parar de pisar jardins.
Mas o tempo não voltaria.
Hoje, Palestina teve uma esmola da ONU.
Se eu enxergasse uma dádiva no homem morto
Ou o leão vivo como homem morto
Seria mais aceitável num teatro sem paredes.

Tenho de continuar em meio aos escombros.
Veja como pareço amargobjetivo.
Veja como se escondem as tristezas.
Veja como os meus pés tortos se escondem.
Veja como a parcela de lucro mergulha na foice.
E tem um anjo com vitiligo que insiste
Em ser bom, soltando pipas e bombas.

Quer me colocar na lista de partida.
Quer que eu atravesse o muro-mim-mesmo.
Tenho de prosseguir.
Veja como pareço burguês.
Veja como digito no PC, de olho sisudo.
Veja como meu nariz se exibe.
O sono com vitiligo tem espasmos.

O sorriso de Hipnos me faz pensar em sóis sem luz.
Como feras sem nariz os anjos entalados

Neste buraco.
Desejo mil olhos, mas tenho de continuar.
Me alimento de olhos com sonhos dentro.
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