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segunda-feira, 29 de abril de 2013

CIRANDA REVIRADA

Oh gira o poema e torna a girar,
Revira comigo, que, feito piaba,
Aos teus pés de santa-diaba,
Morena, pus-me a nadar!

Meu poema ardido
Por teu escândalo
Tem jeito triste,
Filosofando!

Morena, morena,
Só namoro, entenda,
Pois casar é muito
E vivo em contendas.

Foi só conhecer-te,
Levantou-se a grua,
Minha sede intensa
De chupar-te as luas!

Meu desejo incendiou,
E o luar ensandeceu-me,
Por isso vulcões estouram
Do solo que em mim fendeu!

Tirai-me, Deusa, o tormento?
-Não posso senhor Poeta.
Onde a vida ao eu faz vento
A morte a vida completa!

Meus poemas derramaram.
Minh'alma em lava ferveu.
Mandei chamar-te, morena,
Para cirandar sem véus.

Meu vovozinho de Registro,
Carregadinho de nanica,
Fez bananada, raspou visgo,
E tomou água da bica.

Não te aproximes, ainda,
Morena, pois, meu vovô,
É fraco-fraco, fraquim,
Num guenta o cheiro de frô!

Oh gira o poema e torna a girar,
Revira comigo, que, feito piaba,
Aos teus pés de santa-diaba,
Morena, pus-me a nadar!
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