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segunda-feira, 13 de maio de 2013

ELE E ELA FORAM BONS

Ele foi um homem bom,
mas de que vale ser um homem bom
se a vida está pela hora da morte?
De que vale ser um homem bom
se a morte está muito bela
para sujeitar atitudes?
Ela foi uma mulher humilde,
mas de que vale a humildade
se o mar está encapelado há muito?
Ele, sempre pronto a revisitar-se
a rever-se a procurar respostas
a ensaiar soluções, mas de que vale isso
se o ato de pensar ficou agreste
e o próximo segue o valor de mercado
distante de possíveis?
Ela tinha o espírito aberto,
perseverava quotidianamente
no hábito de sair ás cinco horas
para a caminhada rente à estrada de ferro,
da Igreja Matriz Católica
até o final da Vila São José,
mas de que adiantava todo esse esforço,
se implicava na perda do tempo roubado
de fazer um poema mesmo temporão
que não poderia nascer em horário diverso?
A ele tudo fascinava, quer um pássaro cego,
quer uma palavra morta,
quer uma música de asas reflexas,
quer um cafezinho com amigos poetas,
mas de que servia tudo isso,
se tudo isso findava na realidade
que interpelava com sua marcha sem freio?
Ele e ela eram pensadores compulsivos,
e seus olhos sempre estavam
no astro longínquo que nunca alcançariam,
mas só fisicamente.
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