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quarta-feira, 26 de junho de 2013

FAREMOS VOTOS COM NOSSO RELEVO

Quanto nos resta do século? Como aproveitar o que falta?
Amar? Mas quem quando onde? Todos se entreolham.
Quem será que nos completa? Somos sós pra sempre?
Apesar das peles no entorno, o cheiro é só um acaso.
Não tememos os jornais que enrolam policiais nas peixarias.
Outrora, Tempo, banhavas nossa alma em indiferença.
Mas agora não deixaremos.
Acumulaste milhões de memórias às custas da nossa pausa.
Deste de mamar a mortos semideuses com o preço do nosso sangue.
Agora, queremos que confesses.
Outrora, acumulávamos tuas medidas nos ossos.
Falavas de um de nós: - esse tem o osso atemporal e por isso darei a ele um fim!
Ouvíamos sua voz, não era preciso que nos esforçássemos.
Mas agora teu cão feito de dentes incisos não mete medo a nossos cabelos brancos.
Tua esquadrilha de ponteiros de papel pega fogo em nosso vento.
Guardamos os lenços que enxugaram muitos olhos.
Não queremos esquecer o que nos fizeste.
Por isso nos enfiamos nesta caverna em frente à tua casa.
E aguardamos que recolhas o teu círculo.
Cuidaremos da alma de tua carne e da carne de tuas horas.
Primeiro, faremos votos com nosso relevo de rugas e olhos semi-cegos.
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