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segunda-feira, 10 de junho de 2013

MEFISTO E FAUSTO DE DENTRO

Um dia Fausto me chamou

Para tomar um formicida.

Era dos bons, ele falou,

Daqueles que fazem da Vida

Uma experiência singular.


Eu fui com ele pela Alma,

Na esperança de chegar

A uma síntese completa,

Uma verdade cavalar

Que fosse do Amor a seta.


Fomos andando meio tontos.


Eu, Pensamento Objetivo,

Com muitos erros, todos prontos,

Surgidos no antro da Razão,

Pretensa em Ciência e frios pontos.



A dor surgiu, Fausto chamou-me

Para tomar Morte com Vida.

Bebida boa, de primeira,

Que deixa a mente tão sentida,

Que nem tomei a saideira.


Eu fui com ele pela Alma,

Esta eterna inconquistável.

Que mesmo arcando nossos traumas,

Nos torna a angústia mais amável

E dá-nos consciente calma.


Fazia o formicida efeito

Contra verdades acabadas,

Que nos destroem o frágil peito

Com sua falta de risada,

Dança e cantares bons de jeito.


Chegados na encruzilhada

Da parte d'Alma mais incerta,

Vimos uma Casa Cinzenta

Meio fechada, meio aberta,

E à frente uma Fera Sedenta.


Batemos palma com vontade

Pois parecia a salvação

De nossa gleba interior,

Misto de Benção, Maldição,

Painel de Gozo e de Horror.


Eis que o Dono sai lampeiro,

Com sua face meiga e dúbia,

Não nos promete solução,

Mas sim bebidas mais intensas

Com inquieta solidão.


Mefisto o nome desse Dono,

Que abraçou Fausto com vontade,

Eram amigos desde o tempo

Da meu logismo inicial,

Quando era o sonho fumo intenso.


E esse fumo financiava

Famosos crimes hediondos

Contra o Real, que traficava

Na cara de meus mil sofismas

As vãs verdades dos escravos.



Fizemos lauta refeição,

Ficamos todos irmanados,

Além do Bem e além do Mal,

Em meu espírito cansado

De rejeitar o Irracional.
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