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domingo, 2 de junho de 2013

SENHORA EX-MÃE GENTIL

Natanael Gomes de Alencar e Leonardo Só
(POEMA RECONSTRUIDO DE RETALHOS DE 1996 NA EPOCA DO MASSACRE DOS CARAJÁS)

Começo aqui estes versos
Para falar com ardor
De quem constrói a nação
Como bom trabalhador.

Vão as falas que se seguem
Para ti, ex-mãe gentil,
Que num passado de sangue
Ao teu povo perseguiu.

O pedreiro faz teus muros,
As paredes de tuas celas,
E fica com um monturo
Apenas do que revelas.

O mundo é a nave-mãe das tiranias,
Mas a vós, Senhora, torce a face,
Pois nem do algoz usas disfarce,
Quando massacras e tripudias
A nossa cidadania, como ousaste
Em Carajás.

O professor muito ensina
Tuas crianças, sem manha,
Seguindo a sua sina,
Sem valer o quanto ganha.

O faxineiro faxina
Tuas sujeiras, Senhora,
Mas de dentro nós notamos
Que isto não te melhora.

Diarista ou a contrato,
Zela para dar apuro
Ao teu urbano perfil,
Fazendo um trabalho duro.

O mundo é a nave-mãe das tiranias,
Mas a vós, Senhora, torce a face,
Pois nem do algoz usas disfarce,
Quando massacras e tripudias
A nossa cidadania, como ousaste
Em Carajás.

Há dentista, advogado,
Médico, ascensorista,
Mecânico, carpinteiro,
Se virando como artista.

Há padeiro, vendedor,
Oculista, tapeceiro,
Jornalista, escultor,
Se lascando o dia inteiro.

Para ganhar u'a merreca,
Tem muitos profissionais
Em teu seio, ex-mãe gentil,
Se esfolando pra ter paz.

O mundo é a nave-mãe das tiranias,
Mas a vós, Senhora, torce a face,
Pois nem do algoz usas disfarce,
Quando massacras e tripudias
A nossa cidadania, como ousaste
Em Carajás.

Mas nem só do bom trabalho
Tu auferes as conquistas,
Há bandidagem demais
Corrompendo-te e às vistas.

Tens políticos honestos
Que torcem pelo Brasil,
Querem que ele seja enorme
Como nosso céu de anil.

Mas outros há que bem pecam
Pelo abuso feito em fúria,
Fazendo-te má madrasta
Defendendo causa espúria.

O mundo é a nave-mãe das tiranias,
Mas a vós, Senhora, torce a face,
Pois nem do algoz usas disfarce,
Quando massacras e tripudias
A nossa cidadania, como ousaste
Em Carajás.
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