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quarta-feira, 3 de julho de 2013

AOS DELICADOS BATIDOS NAS LÂMPADAS

Quando gritaram, 
incandescentes,
fomos chamuscados.
Tornaram-se nosso espelho
enquanto o sangue escorria,
antes e depois. Negamos.
Quantas lâmpadas nos rostos
para iluminarmos nossa falta de sentido?
E quando nós mostramos sinais
de nossa monstruosidade atávica,
garatujas de ódio inconsciente,
nos braços por mães sombrias
com ramos eretos de um falso pai

às mãos,
proibidos ficamos de soletrar:
ho-mos-se-xu-ais...
Herdamos terra para soterrá-los.
O denso sangue coalhou a calçada
fluindo em fragmentos de lâmpada.
E clamamos ao alto nossa justiça.
Amanhã, restará a paz
fornicando com remorsos.
Uma lâmpada acende quando outra se quebra?

Quem quer acender comigo?
Por vezes, é preciso acender a lanterna.

Odiamos o que amamos?
Quando aprendi o verbo foder
com o verbo gorjear por dentro
aprendi a soletrar
o rosto justo das coisas.
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