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segunda-feira, 8 de julho de 2013

A MEU AMIGO ATOR MERCÚTIO

Mercútio, irmão meu, deitado na chuva 
em cima dos cacos do palco indiviso,
teu bafo contamina os bem-nascidos 
nesta urbe pudica que nos vampiriza.

Grande ator, irmão meu, como era bom 

botar bombas no cu de Satanás,
e bebíamos vinho até cair no colo 
das deusas contaminadas com o vírus do teatro.

Mercútio, irmão meu, como era gostoso

pichar as peles das palavras com ousadias,
encantos mágicos, a poder de mantras,
necessários à nossa escalada no ser do fogo.

Hábil ator, lembras de Prometeu?
 
De quando roubamos seu fígado aos urubus
que devoraram a águia de Zeus? 
E a maneira febril com que o comemos?

Mercútio, irmão meu, hoje 
Já não há estudo, ninguém quer mais 
procurar o segredo do aço
da espada da alma em flor.

Ator insigne, ficante, irmão meu, 
os carros passam a toda velocidade,
e tuas almas assumidas pela platéia 
são puro carpete para convenções agora.

Mercútio, irmão meu, 

lembra daquele velho 
que pintamos de prata, 
de nome Shakespeare? 

Digo-te que ele não morreu. 
Me acompanhe, se puderes.
Ah, não grites merda em latim!
Quosque tandem abutere...
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