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segunda-feira, 30 de setembro de 2013

DEZESSETE

Minha filha quer:
- Dezessete livros, 
pai, pode me dar?
- Por que não quer vinte?
-Porque não, papai.
- Serve um, ou dois?
- Dezessete ou mais.
Para o aniversário 
devo arrumar.
Dezessete anos
ela já fará.
E aos preços todos
Devo coligir.
-Pai, eu posso ser
escritora um dia?
Claro, minha filha.
Se empregar tu'alma
com sonho e porfia.
Muito valem livros
pra entender que os dias
de mortos e vivos
são indiferentes
à nossa alegria
e compreender
que há luz no traço.
Dezessete anos!
Dezessete livros!
O tempo passando
e eu ficando antigo,
parca biografia
pra livro ou valia
de espelho ambíguo.
Mas estou feliz,
embora ainda caia
como um aprendiz.
Devo lhe dar, sim,
dezessete obras.
Livro à alma afia,
Com vulcão de sobra.
Eu a amo, sabe? 
Este amor me guia.
Há no meu destino 
cansaços sem trilhos.
Nessa estrada há ferros,
trens de acerto e erro.
E também mentiras
Que me juro aos berros.

Dezessete livros,
dezessete anseios...
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