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sexta-feira, 22 de novembro de 2013

MERGULHO NO TEMPO E NO RIO




Não se pode mergulhar duas vezes no mesmo rio,
apesar do rio me parecer sempre o mesmo,
com a mesma margem e suas moitas,
e as mesmas árvores ao longe.
A mesma família mora ali há anos,
minha avó recebia os aluguéis
quando era dona da casa onde mora a família.
Depois meu avô e minha avó morreram.
E o rio continuou ali, um pouco mais sujo,
afogando alguns de vez em quando sem querer,
porque um rio geralmente é muito bondoso.
O mar é que tem seus rompantes,
ora manso, ora bravo.
Mas como dizia, duas vezes não se mergulha.
Até porque o tempo passa e se veste de hoje
em qualquer espaço onde estacione.
A família mora ali há anos,
mas já esta afetada pela urbana face.
Traficantes possuem uma boca perto.
Prostitutas gostam de parar frente ao rio
de madrugada e ofertar-lhe os pés,
quando muito as coxas.
É quando o rio diz: "ai, que felicidade!"
Não se pode mergulhar duas vezes
no mesmo rio.

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