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sexta-feira, 29 de novembro de 2013

SEI QUE DECORRE DO PACTO


sei que decorre do pacto
este sangue ralo e doce
a paisagem que fingi nos olhos
o cheiro que criei da ilusão
o livro amarelo e com traças
melhor digo: deixa as traças
a que me façam companhia
fico fácil desesperado e romântico

sei que é inevitável
leva a pedra que comprei de Sísifo
as dores que serviram aos poemas
os delírios que suguei das nuvens
leva a língua que comprei de Íxion
o cd do Pink Floyd
o último lançamento da Ford que não tenho

todo pacto tem suas regras
pode levar a musa
a rasgada blusa escrito
yakusa
e boca chiusa sobre minha inexistência
sobre a panela preta
a frigideira arranhada
a xícara quebrada
a alma com veias de sangue
o corpo aéreo
e por último
leva o sentido que nunca descobri
das coisas evitadas
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