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sábado, 22 de março de 2014

UM HOMEM ENTROU

Um homem entrou 
na casa de outro.
Não pegou dinheiro.
Não pegou móveis.
Nem letras do Banco.
Nem jóias originais.
Nem os cães de raça.
Nem a filha do outro.
Nem a mulher do outro.
Simplesmente entrou.

Subiu 

aos quartos de hóspedes.
Não os queria.
Desceu à sala de jogos.
Não teve interesse.
Não, não tinha arma.
Ali ninguém tinha.
Todos seres de paz.
Só o homem era grande,
Talvez grande 

até demais.

Quando um homem entra.
Digo: na casa de outro.
Quando isso acontece,
No fundo todos sentem
Não merecer o que tem.
Pois no começo era de todos
A terra ampla e pura
Até que fortes e chefes
Pegaram como sua.

Há muito sangue por trás
Das coisas privadas, rapaz.
Eis que o homem 

chegou à cozinha.
Ali certamente tinha.
Pegou e levou pra casa.
Estava quase na hora
Da filhinha se alimentar.
Tirou do saco que roubara
Leite dos bons, tipo A.

A morte chegou logo
Com oficiais de justiça
E um atirador de tocaia.
Isso aconteceu em uma data incerta.
Talvez em.
Talvez em.
O fato é que o homem 

era grande.
Metade preto e vermelho.
Carapinha e pinha no cabelo.
E amava sua filhinha.
Isso é fato.
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