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segunda-feira, 10 de março de 2014

TRAVESSIA ATÉ O SER DE PAPEL

Lembras dos cães em nossas almas?

Quando encarnaste em meu verso com sífilis,

Quando nasceste em rocha filipina,

Quando reencarnaste puta gangrenada,

Quando salvei-te de um suicídio

Num daqueles esgotos franceses?

Quando nasceste como um bicha inglês,


E me chupaste o membro com cancro?

Minha corcunda de então tremeu

E fiz eu mesmo teu assassinato

Empalando-a nas grutas de Lascaux.

Venho dos tempos antigos, de

Quando as conchas marinhas tinham xotas!

Em nossos castelos vampíricos

Deusas do mar vomitavam!

Nossos mordidas nas moças da aldeia

Eram certeiras e fartas!

Quando nasceste mendiga africana,

O urubu bicando teu filho morto

No primeiro dia do ano 1970

Era minha mais torpe encarnação...

Sem dor devorava teu fruto!

Foi quando me mataste a dentadas,

Arma de mãe; depois reencarnaste

Como cigana presidenta vendedora

Doceira prefeita deputada e me esqueci,

Virando um ser de papel.

Venho dos tempos sem céus, e

Hoje, neste teste pra TV,

Me encarno em um livro de terror

Que entreabres inocentemente;

Em mim, perderás tua alma ausente!
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