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quarta-feira, 16 de abril de 2014

A VIDA HAVIDA FODIDA

A vida é o nada

que é nadado no mar do tudo,

já disse Pessoa de sua vinícola,

a nadar com todos

os sonhos do mundo,

rei nada útil

para quem quer

a vida pequena,

vou enferrujando a espada

das horas,

esbanjados cetro

e ilha, onde Wilson

engordou feito uma bola,

inflando sem Telêmaco

que afogara Ulisses

na garganta do poema,

e Erik Satie

em fantasia épica

mata cavaleiros do Norte

por uma clave de fá,

embebedando a Morte

em Montmartre,

minimalizando rupturas

nos seios do Gés

de Jacinta-liga,

depois da chacota

no charco de Paris,

que se foda

Valadon Vale-Nada,

quero morrer

etílico em itálica biografia

sem coleção de guarda-chuvas

que Caronte só quer óbolos

e bolinhas de ecstasy

uma droga moderna sintetizada

cujo efeito na fisiologia humana

é a diminuição da reabsorção da

serotonina

dopamina e

noradrenalina

no cérebro

causando euforia

e grande perda de líquidos

um amigo morre

com muito líquido

no ventre preto

e bonachão

a mulher passa

hidratante

a irmã passa

hidratante

e a perna brilha,

ele era

da

Schola Poetorum

depois de aprovado

na Escola de Mamíferos,

a vida é curta e lenta,

Satie amigo sem corpo

amargo

de desaires,

e eu fui ouvir

Picasso

com os olhos de sono,

numa tela de PC

(não-PC-Farias),

o que eu faria

se não nascesse

em Cubatão,

com uma alma esburacada

de metralhas líricas,

todos os meus amigos

acreditam piamente

em alguma coisa,

como eu

que creio em cachorros

vegetarianos, em baldes

de toda casa,

mesmo sem goteiras,

meus olhos foram mais antigos

quando eu era menos antigo,

na Base Aérea sem base

que não fosse o anseio

pelas putas de Itapema

ou da General,

enquanto o Brasil

perdia o púbis-PIB,

e a democracia voltava com azia

aderente aos antropófagos

norte-americanos,

havia cabeças

penduradas em paus

na casa que eu não morava,

onde achei a Bíblia

com a qual eu apanhava

moscas quando a fechava,

meu pai tinha caranguejos

que me ensinavam o medo,

e as sombras tomavam K-suco

em minha boca,

Dylan Thomas traduziu

meus três poemas do futuro,

salgando salmões

com rouxinóis,

a pedra nos rins

como uma bala alojada

espera o momento de se mostrar,

como a popozuda filosófica

cujo popô faz calar popós

de chico, não o da vila

buarque,

desvio o olhar para a nudez das sete

ex-pornôs de

A Guerra de R.R.,

Big Brofoda,

Flatulentamoda que pega

como catapora,

e me sinto épico

como uma foto

de concursos de Páscoa,

vou ao banheiro

não lavo as mãos

como o almoço

não trinco o osso

do rabo gostoso

de alguma vaca raBuda-zen,

feito com muito óleo

grosso,

distorcido como Morrison

como AC-DC,

como Raul Seixas,

como Black Sabbathozzi,

não dou um bom som

quando falo,

o amigo falou

se eu morresse amanhã

viria ao menos fichar-me

os olhos a luz

da lanchonete,

o amante dela preso

no trânsito

das almas perdidas,

quero beber a água

do mundo,

comer as enfermeiras

que me inundam

de cuidados como mamãe,

quero comê-las com amor,

que elas não possuem ou possuem

mas não tem,

um médico chega,

símbolo da SS,

ordena que se lhe dê

o remédio, ele não quer

senão declamar

as Sete Faces,

se eu me chamasse Raimunda

seria prima do Faustão

sem bunda,

há um carro esperando

para o campo

de concentração,

ele se atira do hospital

como um ícaro de música

que ele ouve na rádio

da saudade,

dormem no mar os anjos

vestidos de ondas

e o amparam,

morrer sem vintém

para uma vela,

sem coroa para uma cena,

mas pelo menos com poemas,

uns cem pra cada ouvido,

e eu com esta sede que não passa,

esta fome que encanta

a criatividade ausente,

como num Funk-Fuck You,

o mar encapela

e o som em capela

do vestido de Estela,

criei agora

a partir

desta calça

que mela,

após assistir,

decidiu o romance, o conto,

o poema, e partiu,

enquanto eu comia

um bolo sem receita

que me lembrou a

Receita Federal,

tenho de fazer o imposto

sem grana empostada

no bolso,

tenho de fazer um roteiro

de cachorro vegetariano,

tenho de comprar um balde

pra minha cadela fazer de pinico,

tenho de desenroscar o umbigo,

cortar a alma em pedacinhos

com uma agulha de crochê doze,

que eu não sabia que existia,

tenho de ler o que for preciso

e que me indique o caminho indeciso

desde o útero,

fazer política como todos os grupos

de artistas que chupam nas maminhas

do Público P(h)oder,

pintar cabeludas mulheres

como pintor que sabia a diferença

entre as mulheres cabeludas

abaixo do ventre e

as bigodudas como Hitler,

cujo peido fazia

kkkkaaammmmppppfffffffffffiuuuuu,

e ir por alí

pois por aqui

vi-te de um sonho antigo

pesadelavas de dor

meus olhos foram contigo

e não voltaram

desconfio que os comeste,

a vida é mesmo assim

em Oz(bórnia)
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