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quinta-feira, 24 de abril de 2014

ADERNANDO PELOS OLHOS

Esquecer que fui oco mesmo denso o espaço
Esquecer tudo ficando na beira da margem
Esquecer que ser ontem é hoje estar sentado a ver
Esquecer o impossível da fruta não mordida de sabor possível
Esquecer na capa o título do abraço desejado
Esquecer as palmas após o palco chovendo
Esquecer o desejo não retornado do prefácio inusual
Repaginar o caminho do rei destronado
Esquecer que não redigi indesculpáveis parágrafos
Esquecer que não conclui o traço da idéia inicial disto
Os pés recolhidos sob as rodas do dia
Os degraus do irrefreável ritual
Pedir desculpas do abstrato esquecer o que não vi
Refazer renascer no intervalo entre lá e aqui
Pular a janela escancarada dentro
Salto ornamental no evanescente
Pular respondendo ao vazio
Do amor ido sem densidade
Esquecer que amei uma estátua num conto
Com o casco-coração adernando pelos olhos
Esquecer que fui oco mesmo tenso o esboço
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