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segunda-feira, 14 de abril de 2014

SAPATO DE LADO

Eu também sou triste,
Oitenta por cento das vezes, 
Como um sombrio sapato de lado.
Sou um chapéu escuro e pequeno
Que não serve nem pra mancebo.
Pensam que sou bravo
Como um travesseiro
Recheado de pedras do rim.
Encontrei uma vaga na galeria
E a preenchi com minha alegria.
Galeria alegria, entendeu?
Lá encontrei o Amigo Atemporal.
Um amigo mais da alma que do espaço.

Ele me disse que minha alma fedia a chapéu.
Escuro e triste e com corcovas....
Perdi os cabelos. Quem os achar devolva.
O endereço é o aeroporto de minha cabeça.
Estou disfarçado de chapéu escuro.
Corcundas crescem na minha aba.
Vai ser fácil me localizar pelo fedor de úmido feltro.
Não sei mais escrever senão denso.
A chuva cai de viés na minha opacidade.

Nunca me dá sua filha Nada pra dançar.
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