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domingo, 4 de maio de 2014

A PÃO E MÁGOA DE VERDADES

Quando me atirou no rio,
Meu pai queria eu lutasse,
Que eu aprendesse o nado,
E ferisse ao dar a face,
Quando me lançou das pedras
E me escondi sob a casa,
Queria que eu crescesse,
Assim como em Pedras Se Indo,
Um filme muito sucinto.
Quando me descarregava
Acima do seu pescoço,
E de lá me atirava
No abismo ao sul de Cnossos
Era pra que aprendesse
Os vôos de antigo Dédalo
Na alma do filho intrépido.
E das vezes em que fez
Rastejar-me na parede
Me preparou para Kafka.
Quando me deu às mulheres
Da Zona do Cais do Porto,
Queria que eu aprendesse
Com meu pau de rijo estofo
Sobre o Teatro da Estrada,
Sobre as delícias da Pele
E seu orgasmo-em-palavra.
Até hoje escrevo em tábuas,
Ouvindo-voando e uivando,
Principalmente rangendo,
Com sede, a pão e mágoa
De verdades desfazendo.
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