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quarta-feira, 1 de outubro de 2014

O QUE SEI, SENHORA


O que sei, senhora, é tão pouco
diante dos sentidos inexatos.
O que não sei, senhora minha,
urge em teu modo fátuo,

que se ancora presto preso
onde me planto, pássaro

afogado em vôo lesto.

O que sei, senhora, bem se esgota
diante de teu vulto vasto.
O que não sei, senhora,
é farto ao cerne pio,
pleno de mistério, triangular
meu céu: teu monte em pernas.

O que sei, senhora de perceptos,
diante do que sinto, é herdado
dos amantes poetas medievos,
santos jogralescos, sós herdeiros
de indecentes tortos cavaleiros
que por ti nos versos se endireitam.

O que sei, senhora, se alvoroça
no fogo do perfil com que me impedes
o ancho coração e o atropelas
com teu rosto em pedaços que se evade,
oceano a me dar bravas procelas,
a me afogar, enquanto há sol nas árvores.
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