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quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

PARA LÁ DAS LÁGRIMAS

Eu estou aqui.
Por trás destas lágrimas.
A água pesa e salga.
Com meus olhos salgados
Talvez se fizesse um guisado.
No entanto, arde o choro tanto
Que a retina explode de mágoa.
Por trás destas lágrimas espero
Que passe sua cachoeira desatada.

Por trás das lágrimas
Que como uma cortina de vidro
Balança ao vento do sofrer em granizo,
Eu, espírito caminhante, teço uma elegia
Ao festival de lágrimas que me elege.
Na cachoeira de lágrimas 
pesadelos colocaram despachos.
O que esperavam não sei.
A quem eram destinados não sei.

Livros se acumulam, molhados,
do outro lado das lágrimas.
Luzes da cidade se intensificam,
lágrimas sobre os faróis.
Uma mão envolve uma caneta 
embora para lá das lágrimas.

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