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quinta-feira, 6 de agosto de 2015

ELA - A MENDIGA ASTRONAUTA (POEMA I)

De qual paraíso ou planeta ela veio,
eu não sei ao fim e ao cabo.
Um lugar onde ninguém ousou ir?
Não de Atlântida ou de Xanadu.
Mas, sei que passeia entre meteoritos
de nojo e indiferença.
E sei que não tem emprego, afeto, skate.
Conhece toda a cidade quando acorda
para esquecer quando se deita.

Alimenta-se com as pombas.
Banha-se ela com os sapos.
E aposta cuspe à distância
com ratos e colibris.
Já a vi comer das mãos inseguras
de uma senhora com bengala de sóis.
Sim, seria uma boa empacotadora.
Cata sacos como ninguém.
Veste-se de modo independente.
Se quer mijar, faz no canto da Igreja,
Bem na madrugada, escondidinha.

Embora com a permissão dos santos,
a família Santos, dona do terreno,
não deu permissão, porém.
Jogou suas roupas no fogo...

Deu graças que não jogaram os plásticos.
Ela é uma astronauta urbana,
Tem saudade das calças plásticas.
E sacos plásticos dão som
ao recheio de suas roupas.

Eis que vejo-a num lugar,
feliz mendiga de assento.
....Que mistérios lúdicos
nos plásticos inventa?
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