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quinta-feira, 6 de agosto de 2015

HUMANIDADE

Começo das estações no palco:
Comecei falando 
Da merda com Prometeu.
Hércules ainda não chegara.
A Águia queria tirar-lhe a alma.
Mas tinha um bico muito concreto.

O hálito seco 

do sopro da rocha.
O esboroar do espaço denso 

e o silêncio da platéia.
O gume da luz 

nos cegos
de olhos de pré-fim(de quem?).
Bagas de poeira nas máscaras dos gestos.

O mendigo com apenas
um caixote para dormir, 

dois sapatos sem sola e miolos 
espalhados de faz-de-conta.
Subir no caixote indica coragem.
A Coragem, uma mosca nua, facas nas asas.
Romeu vê jacarés frente ao shopping 

subindo pelos preços.

O gume da sombra no fígado de Prometeu entupido de amor e luz e sujeira das drogas dos becos.

Prometeu abanava a orelha direita e só eu percebia. 
O único que amou o mundo.
Só eu o via. O sarnento.
Prometeu é lá nome de cachorro!
Me dizia o outro eu, na lata.
O nome do cão era Jesus antes.
Mas volta e meia acendiam velas
Em torno de sua casinha minha.
Prometi a mim mesmo mudar-lhe o nome.
Conheço
Uma gata que se chama Deusa.
Uma vida que se chama Universo.
Uma estátua santa que é Puta.
E agora um cachorro ladrão de luz.
Prometeu deu a luz aos homens.
E foi castigado.

O dia está passando como um papelão mijado.
Eu de repente sou o mendigo.
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