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sábado, 26 de dezembro de 2015

PARA AKHMÁTOVA

Seu primeiro marido fuzilado.
O segundo com tísica.
Seu terceiro marido concentrado
num campo. Para eles a volta ao pó?
Tenho o direito ao superficial fervor?
Seus passos nos espinhos do Gulag.
Sua poesia a se vender por amor.
Para ela a volta ao pó?
Seu primeiro poema em Leningrado.
Os seus muitos xales do agrado
de quem por si se apaixonou.
Sua poesia-sentimento.
Para eles a volta ao pó?
Hoje tem poeta que só gado.
E tudo que eu sei é superfície.
Mas quem sabe mesmo do mar profundo?
Mas há quem diga conhecê-lo. Palmas
pra eles que o teorizam.
Todos eles querem saber e o amor
sempre exigente do leitor
com o seu espanto.
Para eles a volta ao pó?
São os versos de Ana
banhados de dor qual Florbela
dando assim mais força à Dor Maior.
Desde o nascimento, ou pouco adiante,
sofreu a beleza até o fim,
desatando distâncias por dentro.
Para mim, o pó se aproxima.
O cachorro está alimentado.
Com correntes, perdido
para Libertas. Vira-Latas.
E eu escuto a pretensão
no vídeo cansativo do crítico sabedor
furioso hitler do conhecer premente.
E o admiro por esse atrever efêmero.
Embora tudo sejam flores de pó.
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