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quarta-feira, 7 de setembro de 2016

AMAR É NÃO SABER NADA

Dois pontos, não muitos:

Amar te revela. Amar te esconde. 
Amar passa perto. Quando não passa longe.
Amar é se abaixar pra acariciar uma formiga. 

É se levantar pra pentear o sol.
Amar é castigar a si mesmo. 

Talvez o próximo também. 
Amar é atirar a esmo.
Talvez mirar e acertar. É andar de bicicleta num fio de água. Voar no fogo.
Amar é pedir pra te atirarem das nuvens. Ou praticar a obsessão de não pensar.
Amar é fazer palhaçadas até quebrar o espelho. Ou mergulhar na ponta de uma mágoa.
Amar é vingar o desamor. É lamber o corpo das coisas.
Amar é enfiar a cara num bolo e os dedos na tomada da insônia.
Amar é nascer pra isso: amar sem exigir retorno. Quase.
É respirar santidade escorregando num pecado sem perdão.
Amar é não saber nada de amar. É se arrepender de definir o amor.
É ser vilão querendo ser mocinho. É ser mocinho ante a vilania.
Amar é libertar pássaros e sorrir feito bobo encantado.
Amar é ser farol, solitário, mas dando direção ao que se perde.
Amar te retalha e te reconstrói. Amar te dá música e te faz canção.
Amar te dá medo, vontade de fugir, de se matar, de renascer.
Amar é seguir adiante querendo parar pra ser solo pro amor pisar.
Amar é naufragar e nadar até as ilhas atrás do dedo de deus.
Amar é tecer heroísmos à flor de pequenas covardias de hesitar.
Amar é ser pássaro preso em sua própria liberdade.
Amar é ir ao mar e se afogar e inchar e virar balão e flutuar.
Amar. Ponto. Não. Reticências..
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