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quarta-feira, 28 de junho de 2017

POEMA DE MIM

Entre trovões e relâmpagos,
fingiam estar 
numa tragédia de Sófocles,
frente ao espelho do toucador,
onde ficções moravam
de boca e unhas sujas 
a mostrar faces não lidas.

Disseram-me
que não eram tão amargas 
quanto o meu risco as fazia,
e que eram em verdade 
belas e esguias,
e que não nutriam por mim 
falsos pareceres.

Desconheciam 
que há muito tempo 
eu escrevia obras de cascalho 
com ene terremotos e 
ritos pândegos de viés.

Já maduro e triste, como a voz 
de uma gralha de vidoeiro,
banhei-me na charneca onde, 
quebrando-me e rindo,
me fizeram cair e 
meu casco-cosmos se quebrou.

Tive de colar e explicar 
o poema e este ato
foi meu supremo pecado.
Fui condenado 
e suspenso por segundos 
da que sempre melecara.

Sempre me imaginara 
a réplica vitrificada 
de um Verso 
sem carnes.

Quem me vê 
assim cantando 
não sabe o Poema 
de mim.
Da máscara, eu sou 
coadjuvante e dentro.
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