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PARA AKHMÁTOVA

Seu primeiro marido fuzilado. O segundo com tísica. Seu terceiro marido concentrado num campo. Para eles a volta ao pó? Tenho o direito ao superficial fervor? Seus passos nos espinhos do Gulag. Sua poesia a se vender por amor. Para ela a volta ao pó? Seu primeiro poema em Leningrado. Os seus muitos xales do agrado de quem por si se apaixonou. Sua poesia-sentimento. Para eles a volta ao pó? Hoje tem poeta que só gado. E tudo que eu sei é superfície. Mas quem sabe mesmo do mar profundo? Mas há quem diga conhecê-lo. Palmas pra eles que o teorizam. Todos eles querem saber e o amor sempre exigente do leitor com o seu espanto. Para eles a volta ao pó? São os versos de Ana banhados de dor qual Florbela dando assim mais força à Dor Maior. Desde o nascimento, ou pouco adiante, sofreu a beleza até o fim, desatando distâncias por dentro. Para mim, o pó se aproxima. O cachorro está alimentado. Com correntes, perdido para Libertas. Vira-Latas. E eu escuto a pretensão no vídeo cansativo do crítico ...