Estás voltando para tua aldeia, depois de tanta luz e tanta sombra. Mais sombra e luz ainda virá. Para isso fomos feitos: para os defeitos das virtudes e para as virtudes dos defeitos. Como Ulisses retornou à Ítaca, depois de enfrentar os monstros em si e fora, de arrostar o deus invejoso, os feitiços do amor. Estás voltando à aldeia. Lá o espera o quê? Mais esperança? O primeiro amor? Últimos amores? Não pecaste contra o céu. Não és indigno tanto assim. És humano como a glória de o ser. Os porcos são grandes professores. Um aperto no coração? Gastaste sem temperança. Beijaste os lábios das egípcias que se davam nos becos, comeste o manjar das hetairas modernas de São Paulo, empurraste a vida nas paredes, na ânsia de perpetuar-lhe o prazer. Vestiste o melhor da Fenícia. Calçaste sandálias de legítimo couro. Mas tudo é tão efêmero. Mas tudo é tão efêmero. Sobreveio uma grande fome. Teu coração teve fome de amor e estás voltando para tua aldeia.
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