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TUDO COMO AS UVAS

Tudo passa, uvas passam. Ilusão em poças frias, E o tempo adentrando a casa Bebe a noite, come o dia. O velho rosto no espelho. É quando o duplo nos mente E ilusórios tecidos Enrugam-se bem de frente. Dores de espelho derramas, Se beleza dava alarde, Hoje não mais se proclama, Vem manhã e logo é tarde, Mal se acorda e vem peleja, Escuro o encontro no claro.

NÃO HÁ AINDA

Não há coração ainda. Ele está se formando. Um ponteiro vai girando. Há um almoço nu esfriando. Só haverá coração quando a carne se entender com os ossos da alma. No baile das palavras, o tempo é cardíaco.

UM-UM

O tempo inteiro E o tempero. A trempe: inteiriça E liberta de tensões. Porções do Outro restam em Expostas liquidações. Ansiedades a mover os ponteiros: Quanto mais exigidos, Correm transfigurados. O tempo liberta Quando aperta A chave incerta.

LUZ NOVENTA COM FLORES

As mulheres de noventa e noventa e poucos, cem e cento e poucos, são feitas do material de galáxias,  há uns sóis em torno delas:  de luz com flores de tempos transversais. Nunca conheci uma.