Hoje, há o deserto e em cima dele o teu nada. Mas isso é muito triste pra se escrever. Concentro-me então no ontem. Ontem, na escola, eu era apetite feroz de amor. Ontem, eu com garras de tempo-de-sobra. Ontem, tinha desejos pelas colegas de direita pensando nas da esquerda e ao mesmo tempo quebrava a testa nos vidros da sala de literatura. E era apenas o gordo poeta que fazia poesias com desenhos indecentes. O Brasil já tinha problemas em seus dentes e gengivas. E todos tentavam aumentar o nível dos pratos. Em Cubatão, os intelectuais e jovens sempre foram dados jogados por quem os cooptasse. Não todos. O resto bebia ou treinava com Mestre Cotidiano obediente a seus pais. Os artistas sempre foram as vítimas preferenciais. Esses bichas, essas putas, esses destruidores ...
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