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segunda-feira, 19 de agosto de 2019

QUE ENOBREÇA

Seus olhos são nuvens com versos, caravelas e peixes.
E eu sou uma ressaca marítima.

Há sede debaixo de meus olhos.
Há demasiada ansiedade em minhas asas coladas.
Não há vestes a proteger do frio.

Não tenho muitas saídas, você sabe.
Estou uma confusão só. Sou um país de crises.
Sou um rodapé por um estranho corredor.
Talvez se me entendesse, poderia editar o Gita.
O forno pifou quando eu planejava a queima sagrada.
E a casa envelheceu na árvore dos dias em dúvida.
E quem me dará um outro poema que enobreça?

terça-feira, 23 de julho de 2019

PALAVRAS COLOCADAS NO PAPEL

Palavras colocadas no papel não voam
Se não são poesia.
Antes, ferem com seus espinhos.
Anteontem, feri pessoas,
Ao escrever letras com pontas finas.

Desde que nascemos,
Temos que pesar palavras.
Esta aqui é de 200 gramas.
Aquela ali tem 100 gramas.

Pode matar.
E acolá há uma outra
Pra desferir explosões.

Se não for poesia,
Palavras que coloco podem dar azia,
Podem ser vazias como um furo
E não ter mesmo a minha alma.

quarta-feira, 10 de abril de 2019

PRIMEIRO, OLHO

Primeiro, olho.

Poemas chamam-me entre as pupilas

devorando centros de sensibilidade.


Assim meu mundo caminha nos afetos

Cheio de extensões de olhares interiores:

Dentro do ser que se imagina original

Um arremedo de espelho do mundo.

segunda-feira, 25 de março de 2019

NUMA GELADA

Se deixasses, Gelada Senhora, 
meu coração daria pra ti 
todo o calor que me derrete
o núcleo.

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

LUA INVENTADA

O luar domina os boêmios.
Todos saem, dizem: maravilha!
Deixarão a noite bem exangue,
Sangrando em ressaca suas virilhas.
...
Há os bons, mas os maus são de lascar,
Explorando a miséria social,
No sovaco da bolsa a esfolar
As peles da plebe nacional.
...
Vai a lua e chega o sol; alvar,
A alma prende a própria pança
E a solta, em som de estraçalhar.
...
E o poeta, flutuando, rende à França
Imagens de amor crepuscular,
Rompendo o peito à luz das lembranças.

O CURSO DO RIO

Sei que o rio deve seguir seu curso.

Mas preciso descansar entre as pedras correntes,
As pedras cristalinas de seus olhos.
Gostarias, sei, que eu movesse para ti

Diamantes com lábios, algo assim.
Mas quero-te foder a toda hora
Com meus instintos de pedreira em sêmen.

DIVISÃO NA POLIS

Dividida na polis a verdade bífida,

vejo-a na avenida a evaporar.

Um ministro goza um cargo

enquanto mastiga pedras para bem falar.

Tenho a sorte de curar feridas

(as minhas)

abertas com palavras-pasta.

O presidente casa de novo

em cima da urna.

A sorte de ter a mínima palavra

como reflexo hábil do (ir)real.

Um índio chora, em sonho alcança

a glória da ONU.

O paradoxo da palavra

ressignificando meu espaço:

carreira doce de formissignos.