Hospedamo-nos no barco do dia. Sentimos o cheiro dos fétidos canais. Sentimos o cheiro dos peixes perfumados. Conversamos com as sardinhas da limpeza. Os tubarões pegam todo o dinheiro dos pescadores. Vez em quando, de quatro em quatro anos, nos comícios. Por vezes, um tubarão se une a outro. Gostam de santinhos, tem mesmas barbatanas. O cheiro do peixe não nos matará, embora. As urnas estão cheias de águas-vivas a longo prazo.
Fui visitar sambaquis E comi ossos no espeto, De conchas fiz atabaque Pra macumba de esqueleto. Juntei no meu coração Muitos versos e quimeras. Em solidão, vi amores Entre siris e moneras. O cientista Rivet Nas conchas de Piaçaguera Gostou tanto que ao vê-las Esqueceu-se porque viera. Olele Olalá Samba aqui que eu sambo lá!
Dez anos. Minha mãe me pegou. De lado me olhou. As mãos de cabelo. - Sai do banheiro! -Aposto que espremeu o dedo! -Vai rezar defronte ao rádio, infame! Às dezoito horas, a oração do Padre Donizete. O copo de água benta estava com moscas dentro.
O tempo inteiro E o tempero. A trempe: inteiriça E liberta de tensões. Porções do Outro restam em Expostas liquidações. Ansiedades a mover os ponteiros: Quanto mais exigidos, Correm transfigurados. O tempo liberta Quando aperta A chave incerta.