Pular para o conteúdo principal

Postagens

O SER VOE

Vento que vagas Fundo a vogar O que divagas Por entre rochas Duras no a(mar)? Voando em vão Voraz virando Violento e forte Violando vilas Vais opulento Voilà me leva Nesse arrebento De flutuar Sobre estas dores Venta em meus olhos Vento em folgança E que o Ser voe Pr'outras lembranças!

DE QUATRO EM QUATRO ANOS

Hospedamo-nos no barco do dia. Sentimos o cheiro dos fétidos canais. Sentimos o cheiro dos peixes perfumados. Conversamos com as sardinhas da limpeza. Os tubarões pegam todo o dinheiro dos pescadores. Vez em quando, de quatro em quatro anos, nos comícios. Por vezes, um tubarão se une a outro. Gostam de santinhos, tem mesmas barbatanas. O cheiro do peixe não nos matará, embora. As urnas estão cheias de águas-vivas a longo prazo.

SAMBA QUIS SAMBAQUIEI

Fui visitar sambaquis E comi ossos no espeto, De conchas fiz atabaque Pra macumba de esqueleto. Juntei no meu coração Muitos versos e quimeras. Em solidão, vi amores Entre siris e moneras. O cientista Rivet Nas conchas de Piaçaguera Gostou tanto que ao vê-las Esqueceu-se porque viera. Olele Olalá Samba aqui que eu sambo lá!

MINHA MÃE ME PEGOU

Dez anos. Minha mãe me pegou. De lado me olhou. As mãos de cabelo. - Sai do banheiro! -Aposto que espremeu o dedo! -Vai rezar defronte ao rádio, infame! Às dezoito horas, a oração do Padre Donizete. O copo de água benta estava com moscas dentro.

UM-UM

O tempo inteiro E o tempero. A trempe: inteiriça E liberta de tensões. Porções do Outro restam em Expostas liquidações. Ansiedades a mover os ponteiros: Quanto mais exigidos, Correm transfigurados. O tempo liberta Quando aperta A chave incerta.