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HOMINIS MORES

Choram a morte do homem não sua lavoura não sua família não teve lavoura nem família só teve um lápis e uma caderneta quando dormiu no mármore quase escreveu algo um risco ficou como obra máxima quase não fica nem isso

O SER VOE

Vento que vagas Fundo a vogar O que divagas Por entre rochas Duras no a(mar)? Voando em vão Voraz virando Violento e forte Violando vilas Vais opulento Voilà me leva Nesse arrebento De flutuar Sobre estas dores Venta em meus olhos Vento em folgança E que o Ser voe Pr'outras lembranças!

DE QUATRO EM QUATRO ANOS

Hospedamo-nos no barco do dia. Sentimos o cheiro dos fétidos canais. Sentimos o cheiro dos peixes perfumados. Conversamos com as sardinhas da limpeza. Os tubarões pegam todo o dinheiro dos pescadores. Vez em quando, de quatro em quatro anos, nos comícios. Por vezes, um tubarão se une a outro. Gostam de santinhos, tem mesmas barbatanas. O cheiro do peixe não nos matará, embora. As urnas estão cheias de águas-vivas a longo prazo.