Pular para o conteúdo principal

Postagens

A FACE DA NOVA COR

Por que solta a rolha no poema mudo o signo arcado? Poema tremido tingindo o vazio vai me anoitecendo. Por que solta a rolha no poema mudo o signo instável? Mito meu, rochoso, não me liga às frestas sempre em fuga líquida. Voam meu destino Belezas de preto Num céu de trigal. Mas ridente é a face Do quadro sempre novo Que se estabelece.

FURÚNCULO NO TEMPO

Sinto que este tempo zomba. Zomba d'eu que sou patético. Zomba de mim mal soando. Parou aqui o poético. A faca suspensa no ar. A colher quase no pólen.. Este segundo parou. Parou mas não quer o solo. Zomba d'eu este segundo. Como posso além chegar? Como posso lá beijar Se cá resto, infecundo? De tanto para o tempo O poema tem furúnculo.

ONDE DONA CHEIRA

O olhar é sema ou meio De amar não sendo e estando. Ela me ama. Pausa. Vou tentar saber a causa. Ela me ama. Ela me odeia. Manterei o estilema? Ela me odeia se estrilo. Ela me ama. E me enfronha. Vou tentar na aldeia o poema. Ela me ama. Ela me odeia. Vou mas sei que. Ela me ata. Ela me ama. Então venho. Minha alma está a prêmio. Ela me ama. Ela me odeia. Temo. Não posso mudar de tema? Ela me odeia. Cena. Ela me ama. Sirena. Sem tempo presse problema. Ela me ama. Ela me odeia. Tem lábios de Iracema. Sua carne é alma e ceia. Ela me ama. Céus! Paradoxo e emblema. Ela me odeia. Revel. Sua atitude de ursa : Ela me prepara o mel. Ela me ama. Entendeu? Arrulha-me como pomba? Ela me ama. Ela me odeia. A raça dela é falena. Sua pele é lisa e crespa, Seus cabelos brancos pretos, Tem seiões que são peitinhos, É bem seca e redondinha, Branca amarela e pretinha, Pura raça e misturinha, Bebe chopinho, sorve aguinha, Tem a face em dieta E tem a face gord...

EU DE IMAGEM SONOROSA

Baudelaire fuma na estação um poema-absinto. Intitula seus poemas e os nomeia como s(eu)s. Saussurre sussurra linguagens enroladas num charuto. Na minha imaginação só lhes permito isto. Leio agora quem não gosta da poesia do eu. No tempo da oral palavra O eu a memorizava. João Cabral queria ser engenheiro Mas Severino não pôde pagar a mensalidade. Sempre haverá o eu, o eu, o eu, Será sempre o eu a intitular o poema do não-eu. A poesia nunca acordará sozinha. É preciso uma voz que a lance a outros. O eu a repartir o espanto sempre dará seu canto À revelia. A rosa é uma rosa é uma rosa. Um eu plantou essa imagem sonorosa. Ilusão. Tenho de sair para quebrar o entorno do eu entupido. O eu ao assinar um poema do não-eu:  (EU)pitáfio.