Pular para o conteúdo principal

Postagens

BEM VESTIDAS

Elas estão bem vestidas naquele casamento. Antes de estarem bem vestidas o que vestiam? De quantas pessoas tinham raiva? Sabiam das paixões dos maridos? Traíam a eles, apaixonadas? Quantos pais e padrastos tiveram? Antes de irem àquele casamento. Antes, o que deixaram nos seus quintais? Quantos defuntos, cabelos de grama? Quantas crianças plantaram nas escadas? Faziam cafés, macarronada, Quando viajavam pra Peruíbe? Jogavam sueca, buraco, canastra, Pensavam na palavra marmoaria? Nesta palavra achavam Maria? Amor nesta palavra existia? Roma e mar também lá haviam? Elas se importavam com palavras pias? Quantas igrejas elas repisaram? Quanto ódio guardavam ao se vestirem Para aquele casamento na Ilha Pro Chá? ...Estavam bem bonitas naquele casamento.

ELA ADORA UM CORPO ESPINHO

Ela espera que ele apareça. Outros esperam que desapareça. Ela espera, no entanto teme. Teme que ele morra engasgado. Apesar dele mastigar bem. Teme que ele morra voando. Que o vento leve ele bem longe. Teme que ele fique menos bravo. Que não goste mais de violentá-la. Teme que ele faça as unhas, Que ele faça a sobrancelha. Que tenha religião africana. Que não brigue, que seja um banana. Teme que ele beba suco. Que deixe o seu sangue de lado. Mas o que ela teme mais É que ele deixe de violentá-la. De deixar aqueles vermelhos Na sua pele alva como nuvem. Ela tem a pele como um lírio. Ela tem o riso como um sonho. Sonho com pétalas nos cílios. E seus cabelos são sopros de aurora. Sopros de aurora inocente. E suas pernas são colunas firmes Que sustentam suas ilhas e mares. E a pérola de sua alma Brilha quando Netuno acorda.. Mas ela o adora, a ele, seu homem, Que queima sua dignidade Com a chama de seu corpo espinho.

A FACE DA NOVA COR

Por que solta a rolha no poema mudo o signo arcado? Poema tremido tingindo o vazio vai me anoitecendo. Por que solta a rolha no poema mudo o signo instável? Mito meu, rochoso, não me liga às frestas sempre em fuga líquida. Voam meu destino Belezas de preto Num céu de trigal. Mas ridente é a face Do quadro sempre novo Que se estabelece.

FURÚNCULO NO TEMPO

Sinto que este tempo zomba. Zomba d'eu que sou patético. Zomba de mim mal soando. Parou aqui o poético. A faca suspensa no ar. A colher quase no pólen.. Este segundo parou. Parou mas não quer o solo. Zomba d'eu este segundo. Como posso além chegar? Como posso lá beijar Se cá resto, infecundo? De tanto para o tempo O poema tem furúnculo.

ONDE DONA CHEIRA

O olhar é sema ou meio De amar não sendo e estando. Ela me ama. Pausa. Vou tentar saber a causa. Ela me ama. Ela me odeia. Manterei o estilema? Ela me odeia se estrilo. Ela me ama. E me enfronha. Vou tentar na aldeia o poema. Ela me ama. Ela me odeia. Vou mas sei que. Ela me ata. Ela me ama. Então venho. Minha alma está a prêmio. Ela me ama. Ela me odeia. Temo. Não posso mudar de tema? Ela me odeia. Cena. Ela me ama. Sirena. Sem tempo presse problema. Ela me ama. Ela me odeia. Tem lábios de Iracema. Sua carne é alma e ceia. Ela me ama. Céus! Paradoxo e emblema. Ela me odeia. Revel. Sua atitude de ursa : Ela me prepara o mel. Ela me ama. Entendeu? Arrulha-me como pomba? Ela me ama. Ela me odeia. A raça dela é falena. Sua pele é lisa e crespa, Seus cabelos brancos pretos, Tem seiões que são peitinhos, É bem seca e redondinha, Branca amarela e pretinha, Pura raça e misturinha, Bebe chopinho, sorve aguinha, Tem a face em dieta E tem a face gord...