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BUG BUG HUUUUGGGGHHHHH

Naquela casa, situada á Rua Santos, 38, Cubatão, tudo estava mais ou menos escuro, a não ser por.... De repente, a claridade, um zunido vindo do mundo de fora do PC. Lera em algum lugar a respeito de barulhos estranhos vindos de fora. Pensava que PC era Planeta Cronos. Certa vez fora abordado por dedos em um teclado nas constelações do exterior. Outra vez, se queixara por que um cursor, ponteiro de rato, se lhe fincara no peito. Mas ele não tinha medo do que estava fora, não ficava arrepiado com o desconhecido, até mesmo porque nascera pronto para a explosão (travamento) do PC. Porém, como evitar o bit de nervos diante de possível BUG? Como fugir de fazer indagações filosóficas a Mestre Gugou? Somos apenas um ajuntamento de vácuos? - perguntou. Por que ele existia? Haveria luz do outro lado? Estava só num universo quântico? Deus era um dedo a se aproximar do Power (fiat lux)? Quanto mais aceso o monitor, mais riso ou dor? Esquecera, por excesso de tergiversação, de atentar para os ...

BLASFÊMIA DE LOT POR AMOR A EDITH

Ela olhou para trás. Que curiosidade! Não ouviu o anjo? Mas Deus sabia. Não é onisciente? Não sabe tudo? Desculpe, Senhor, não precisa estrondear, relampear, assim eu fico surdo, puto, sei lá...Por que ela virou? Ela olhou para trás. E então mudou a pele em sal, Meter no sal não dá. Arde pra porra, pra carai. Uma mulher de sal não geme se a fodemos. Ela sabia que fim teria. Não ouviu, Deus puniu. Às vezes perguntava por que um Deus Senhor. Por que Filho do Homem? Por que mulher costela, assim letra pequena como coisa pra pena? Deus não tinha mulher pra foder? Assim dizia ela. Edith língua solta. Minha adorável língua solta.  Que língua, Meu Deuzinho! Assim dizia dela Copiando o elogio .  Deus salgou minha mulher para as cabras?  Perdão, Senhor. Não relampeie. Anjos disseram que ela já tava marcada. Uma rebelde. Era qual Lilith, a que queria dar por cima. Uma mulher tem direito de não transar por baixo. Não me queixo. Por isso, casei co' essa mulher de peito....

ESTONTEADO DE ONTENS

Ontem, eu vi Skins, E então chorei por Freddie. ...Não sou tão frouxo assim Como parece. Ontem eu li um conto, E nele eu me reli, Chegando em ponto, Ao por-me um fim. Ontem pesadelos: A noite era sombria. Nua em meio ao gelo, Você, alma, gemia. Estou doente, em dor, Disse-me Caronte, De um grande amor Estonteado de ontens.

TALVEZ MUDASSE

Meus olhos, baças vidraças: As flores talvez não morressem Nas trilhas destas paredes Se não partisses daqui de dentro Com toda terra adubada que juntamos. O mundo talvez mudasse de repente Com nossa terra adubada de vivências comuns.

PARA TENENTE LEONARDO MACHADO DE LACERDA (Tragédia em boate: Tenente carioca morre após salvar colega e tentar resgatar menina)

Você não para, rapaz? - É preciso ir lá. Mas quantos já salvaste? - Perdi a conta. Então, fica, respira. - Ficar não conta. E lá foi lá foi à pira. Amava o que fazia. Sem medo da perda que haveria. Da festa a que faltaria de sua amiga em flor. Das piadas que não mais diria. Das dores que embora em sangue nos enchem a vida vazia. Do amor ferido que eleva o ser embora ao peito dolorido. Não veria mais aquele rosto, aquelas pernas, aquela cintura, aquelas flores, aquelas pinturas, aquele cachorro de olhar humano, aquele livro, site de cultura. Vejam, ele entra na boate e traz uma vítima. Volta logo e traz uma outra e mais outra. Salvar outro e mais outro nunca é demais. Um amigo grita, ele vai e o traz. Só não consegue salvar uma menina. O fio de sua vida se desfaz. Tinha planejado, quiçá, um passeio de norte a sul do Brasil. Queria sentir mais chuvas. Queria sentir mais ventos. Queria muito mais momentos. Abrir uma velha carta de amor. Um velho retrato da primeira... Ouvir mais um so...

FAÇANHA DOS OSSOS

Faço a façanha e a forço E o aço do verbo assanha À faca farsas que acosso Em gramática agnóstica. Faço a façanha e adoço As entranhas pernósticas De grácil verboso troço Que vira incerteza exótica Da qual extraio os ossos E os ponho no papel.