Mas não sou como Solano, o poeta popular, sou mais o fora de esquema, apoemando a queimar. Não, vou indo como posso, só compasso sobre a areia, valho por ser paradoxo, louco por céu e sereia. Tampouco sou de virada, como disse um ser do mundo e é meu verbo de nada superficial profundo.
O caqui, fruta que fala com voz quente e feminina: - Vem me provar! - e, ao se dar, vermelhinha, muito mais fome nos dá. Foi Rubem Alves que disse eu faço é acreditar... Amém caqui? Amém!
Sou terra e cosmos, Feito de árvores absurdas Que me esgalham pra velhice. Sou e surjo da letra falha implorando Ao outro que só se conhece por mim Em clareza de espelho e labirinto.
Veja bem, querida... Se acaso amanhecer do anoitecer em nossos prados Se acaso trovejar o chão de lado Se acaso a vida assim brotar De um céu pisado como sangue Se acaso a porta abrir fechada Mesmo em meio ao vão Se outro eu nascer morrendo embora enfim Se acaso transitar o corpo enquanto o digo Se me embeber do que Eros me serve E que jaz no monte e vale em seu umbigo Mesmo em meio, veja.
Sou-te pesca(dor) Quando me permites Anzóis mergulhar-te No ventre-limite. Cardumes que pesco Ao rés do mar-carne Ressaltam os nados Do amor - curva arte.