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SEM LERO

Sem muito lero-lero, vamos dançar este bolero, meio no céu meio no fogo e, lento, dizer: - te quero. E depois pedir: - de novo.

VARRENDO

Estava varrendo a casa. Um papel voava ao léu. Aquilo me preocupou. Não podia esse papel ir pelo caos. Peguei o papel de minha vida. Aquietei-o no prego da calma. Afinal, já tinha mais de trinta. Ou mais de vinte? Ou mais de cinquenta? Ou mais de vinte e cinco biênios? Mas no prego deixou de me preocupar.

SANGUE NOS OLHOS

O ratinho morava  no fogão lírico. Olhos o observavam  há tempos. Tentou ele ser amigo,  confesso. Decorou até meu livro  do que-mesmo. O ratinho - um poema amarfanhado. Estava o eu-ratoeira com sangue nos olhos.

VENCEREMOS

Enfrentarei os teus anjos negros, Lúcia Oliver, com pedaços de aurora e nuvens de maçã. Nos países cobertos de tempestades, semearei as terras com bons sentimentos, cheios de cor e um pouco de fúria, por ti. De dentro do caixão escaparei para percorrer teus infernos doces, colocarei sonhos na tua boca e tua cabeça deitarei em nuvens leves. Quando acordares, haverá um língua nova, feita da infinita variação de quatro letras: A M O R. Depois, iremos às ilhas, às sete ilhas do arquipélago aceso de febre, da boa febre dos encantados, da boa febre da pele dos casais. Aprenderemos a tecer relâmpagos diretamente do coração e venceremos a morte com algodão doce.