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AMOR COM GLAUCOMA

Desculpem se não sei amar sem constranger. Se não sei ocultar o esquilo de dentro. Se todos sabem do meu amor com glaucoma. Se quero espalhar pra todos o som das horas azuis. Se meu amor é uma cadela que se solta. Se sou criança que pendura o ato de amar No rabo do gato. Se quem amo está no útero de uma gaiola. Vejo-a dançando com as árvores. A Lua no centro da andorinha anoitece meus olhos. Um pedaço de asteróide lança-me chamas em desafio. Incinerado sou então por ter música distraída. Vidrado sou no modo dela girar o pescoço. Bêbado de galáxias, tropeço em letras invisíveis. Doaria da minha cabeça liso espelho para cometas calvos. Agora, vejo-a dançando no pescoço do tempo Linda como a canção nos lábios do passarinho Cujos olhos morrem enquanto a alma ensolara. Desculpem se o salto que dou faz todos tremerem. Se não sou belo como o som da noite arrotando.

LÍQUIDOS GOZOSOS

No desejo as fendas onde ficam asas a vivificar a púbica casa E em meio aos meios nos vales dos corpos deixar os receios e pensares mortos A língua da amada relambendo a janta a molhar a puta fúria na garganta Ele cutucando o grilo gritando, ambos se enredando na mata matando É como se geram líquidos gozosos: nos mais internos mares cavernosos

GORILAS FANHOS

Como se o passado Fosse um mudo fanho, O tempo nos segue Limpo após o banho. Foi-se a ditadura Rumo ao beleléu? Não, vive na esquina Com seu rabo em mel. Mil traíras vertem Bigs nas cuecas, Fazem novos ternos Com sangue e melecas. São os bons gorilas De um tempo revel, Fel em fotoshop, Se bobeamos, créu!

VIDA ÁVIDA

Tudo pelo som da cor dos olhos. Eu me doei. Doido. De pedra. Vieste. Doída. De perdas. Eu me dei. Sem volta. Cedo? Em ti dói. A ida. A volta. Não teres te doado Foi poda gratuita ou medo? Eu doendo, doído, um tempo. Dúvida. Tu, doida, endoidecendo. Ávida. Mas de tudo o som, ah, o som salva!

A VIDA ANDA

Feliz, fora, O corpo trinca, E, cacos dentro, A alma vinca. A garganta Atrita Com batatas Fritas. Um poeta é soterrado pelo poema derradeiro. Embora trema A fila bamba, E a morte gema, A vida anda.

MAÇÃS DO AMOR GRUDADAS

As maçãs do amor grudadas. Grudadas, entende? As folhas, pubescentes, abaixo das flores. Não podemos dizer que havia algo mais real. Ao subir na árvore, sentimos o tronco escorregadio. O dia perdia um pouco da inflorescência da aurora súbita. Os frutos eram movimentados pelo vento oeste. O pensamentos pelo vento do inverno e o corpo, de sementes, se espalhava como sempre. Ao sabor da surpresa das coisas. A morte sempre foi um óbice ao eu incompleto. Por mais que subíssemos, jamais chegamos ao topo da árvore, onde galhos imitavam multidões aglomeradas. Por sua grande variedade de espécies, as maçãs do amor jaziam grudadas.  Jamais desgrudaremos?