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TENHO AMIGOS

Tenho amigos políticos, tenho uma cadela raquítica e dois peixinhos mortos, tenho amigos não-políticos, abstêmios e não, tortos, retos, tenho metáforas a dar com pau, tenho poemas com soco inglês. ...  O veredicto eu gostaria de vender, mas a verdade é odiada em certas rodas, um produto que muitos não querem. Tenho amigos que às vezes não me entendem, uma amiga pobre que vez em quando me morde e as almas dos peixinhos me atraem para o fundo do seu pequeno mar trancado no canto da TV. A verdade, eu gostaria de vender, mas é solitária e não gosta do mercado.

ÁGUAS DISSO AQUI

Hoje aprofundei as águas. Não ao desejo de todos que se afogaram. Querem discutir, engolem águas vivas. Querem garantir, montam um banco. Na Praça. Querem mostrar, dizem "sou eu". Ao outro  que não são  condenam. Eu sei mais, bradam. Hoje. Queremos ser eleitos Para a Casa. Para o Prêmio. Para a Cadeira. Como reis dos espaços vagos nos prefácios. Amanhã, o pó.

AMOR VIVANT LOUCO DE PEDRA

Quando ele é capaz de humilhações. quando só de ego vive a se nutrir, e de ensolarar boas intenções finge ser insano e faz chorar de rir. Quando ele se faz ímpar sendo par, sujo aparentando honestidade, contraditório no emancipar a acorrentadas falsidades. Quando ele se faz um número primo com dois divisores diferentes até parece amor mas falta arrimo. E se em solo estranho enfarta e medra, Aí é a Paixão enlouquecendo Por Amor, "vivant" louco de pedra.

ME PROIBO DE FALAR SOBRE O AMOR

Me proíbo de falar sobre o amor. Pois quando escrevo A já vem o M bisbilhotando. E não posso em paz escrever a palavra. Na sequência o O barrigudão já vem babando. E pra azedar o caldo, vem agarrado com o R, Rasteiro e traidor, que quando aparece Ao final Rouba, rapa e arremete, rindo.

SOBRE O HÚMUS E O HOMEM

Sei que há coisas a aprender com os frutos que caem dos galhos que ou são comidos e geram desconfortos de ventre ou afugentam a fome a florescerem no hímen da vida o húmus do homem Sei que uns atos humanos quando caem na boca dos demais ficam "sub judice"

CASCA NOSSA

não posso me dizer o que te consome a dor que vejo pode ser impressão má depois que comi espaços em branco caibo na carne de teu pensar enquanto recheio a buscar sentidos depois que sorvi o melhor dos teus caracóis mas posso calar, isso eu posso, enquanto durar o romper da casca nossa

DÉSPOTA

Ser um déspota de palavras despossuídas para melhor as possuir após a vida