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O ASCO NO ÔNIBUS

Na face vazia, Um fedor doente. Corvos de axila Fedendo inclementes. Sob o sal, sovado, O casco no centro. Apenso no caos, Sonho escorre, intenso. Todo o espaço exala Salso desespero. À face do mito Rói arcaico esmero.

MARES E MITOS E MENTIRAS

Onde terá vivido aquela nereida? Por quais mares nadou? Quantas vezes enganchou em algas? Quando criança, nadava mais rápido? Terá ido a bailes no fundo do mar? Nunca vi um peixe piscar os olhos. Por que um peixe não pisca os olhos? Se ele fosse humano e eu fosse peixe.... Peixes de panela na certa Quereriam ser eu.

POEMIUM TREMENS NO TAPETE

P asso os pés no tapete desta hora, em verdade é o minuto que me invadirá em hospitalidade oferecida  pela noite Há  uma  lâmpada queimada no quarto, um pássaro infinito, um resto de ódio eterno, falastrão como meu pensar nele, e uns mosquitos embaixo do escuro fazendo coro, o corifeu é uma cadela preta com óculos que chamamos de Aterp e que fala au au Há pássaros de medo e eu não sou simples com poemium tremens Aterp está caçando como um lobo antigo, os fatos também caçam-me abaixados nas contas de luz e de água

ORDENS ORLADAS DE CAOS

Lavraram ordens orladas de caos Ferindo-o E ele piscou uma gotícula De sofrer com flor e música

TREMOR NA ALMA DOS PASSOS

Bagunças, bamba, os átomos à volta E cismo-te a tremer a alma dos passos Curvando a música bem alto, danças, Silenciando as vozes do solo e dos céus