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TECIDO DE AMOR TECENDO

Quando tu vieste, vaporosa como os peixes longos, diferente, com essa guitarra que, amorosa, assemelha um ser que muito sente; Quando vieste, mascando bem forte esse chicle mole, "beat"/ácido, irreverente o seu canto à sorte, tom desafinando, quase pávido; Quando vieste insone, toda em preto, ao meu sonho-em-vida meio surdo, o teu mito, Morta, foi rasgando, mostrando que o palco é quase tudo.

MINHA SINA COM PRESAS DE MARFIM

Há elefantes-escribas na sala Sobre trombas de letras Povoando o vinho das frases. Todos fingem Que leem estas linhas, Mirando meu marfim, A esperar mais  Do que minha sina pode dar.

DE MEDO E PÁSSARO

Um pássaro fugiu. Levou pacotes de vento com cheiro. Deixou arapuca com pontas de fogo. No céu, asas com carvão. Um pássaro fugiu. Levou liberdade com gemas. Deixou coração com açúcar. Predomínio de mãos em folhas. Um pássaro foge todas as manhãs. As mãos que os libertam ganham noites. O homem que sou é asas com seiva E escorre líquido com  palavras.

DEBAIXO DO CIPRESTE

Há lances de colostro No fogo que alastras Sem fim Dos lábios Faz renascimentos Ao sul de teus beijos Dilatados verbos De veias infladas Se exibem Ao escrever-te E do orvalho Entre tuas linhas Verbal dilúvio Dá poesias roxas

DA PELE DOS PÁSSAROS

A casa está atroz. Há um tom sombrio. O que é a alma triste senão a flor deste tom? A morte é demasiado rude. Um de seus apelidos: .... O papel está sem calma. Há um mar. Meu olhar rompe a tempestade das garatujas próximas. E não escreve nada.

ÍNTIMO DESTE CÉU

O que é real, o que tem formato íntimo deste céu, onde se esbatem origem e expectativa de fim, onde o único sentido é estar sem a roupa de razão, onde há dragões com fogo em relâmpago no pressentimento do próximo Só posso pensar no real enquanto transcenda o fato de estar nuvem a caminhar para amor chuvoso