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ENFERMA

Ela nada num jardim abstrato enquanto as ondas quebram, a mente sobre a carne das ilhas Espera o fim, a face inflada pelo verde, a alma encharcada de relampejar nas árvores Espera o recomeço, o pássaro livre, a lágrima rolando os lábios secos, o ar denso nos jornais embora

ACOSTUMOU-SE

No fincar as garras sobre noites acostumou-se ao escuro. Seus olhos e seus pelos nunca mais foram os mesmos. Quando tocam em seus cabelos, há estrelas e buracos negros. Mas um rio de esperança  sempre flui...

PLASMAR A SÓS

Numa mania rebelde, Prefere agitar no vazio Um esquecido oceano Plantado nos corais. Tempestuar única voz: - Plasmar a sós.

ESCREVER

Escrever O que suportar Carregar no papel O que tiver altura Assuntar De acordo com a voz E de novo e de novo E de novo e de novo Escrever rasgando o ser

RODA INCESSANTE

Está a trabalhar o homem. Roda em sua roda incessante. Não para, não admite parar. Para que serve um Hamster? Para que serve um Homem? Para que servem um Homem? O sistema come-lhe a cabeça. Como comemos cabeças de peixe. E é quase sempre sábado onde as como. O sistema passa sua alma aos lábios. Como o pequeno trabalha! O barulho irrita, mas ele tem culpa??? Está a trabalhar. Dou-lhe ração e água em troca. E ele só alimenta meu prazer de o ver. Uma beleza pequenina de quatro patas. Ele tem uma disciplina oriental. Ainda não sabe do ócio fundamental. Seus ascendentes devem ser formigas.

SEM PROCURAR SENTIDOS

Sem algo a oferecer, aqui nesta janela me apóio. Em baixo, todos querem algo. Também querem entender. O que posso lhes oferecer, sem missão ou talento ou poderes extraterrenos? Posso dar raiva e água...mas.. somente pra uns poucos. Diariamente, me crio uma janela pra me ver com a imaginação. Sem pensamentos profundos como procurar sentidos para isto: um eu a escrever a navegar sem chegar ao fim das pedras nas mãos que as arremessam.

SOL DIVERSO

Um homem fora do lugar. Qual seria o lugar? Este, de dentro? Na pauta, um homem senta seu ser de árvore e rocha. Não pertence à sombra dos dias. Seu sol é circulado de noites espirais.