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IMPULSO SALGADO

Há pequenos sóis morando em grãos de areia. Percebo quando pisas na areia da praia - caosordem universal - e uma nuvem flutua de ouro em pó e sal. Então, o impulso dourado de um salgado beijabraçar-te.

POEMAS PULANDO SOBRE O MAR

Em derredor o tempo com sua proa e popa, a praia mesmo longe me toma os ouvidos de dentro com suas gaivotas e conchas inermes, e há redes que só pescam o ser profundo. Entre gaivotas e conchas, o mito da praia chora seu sal incessante sobre os ombros das rochas. Vejo poemas pulando sobre o mar, corpos vivos de ilusão, trançando águas-vivas, causando doce júbilo nas algas, e velhos marinheiros palitando com tridentes. Percebo-os de sonhos flutuantes, entre presentes espumas de desejo, paisagem de pintura a óleo, o passado lhes enternecendo.

ALMA À QUEIMA-ROUPA

O tempo, ponteiro, torto teclado Nele as horas Que a vida lavra. Na internet, montam Sarcasmos. Fotos. Os truncados rumos Desnivelam ratinhos Nos dedos. Comedores de arquivos E falhas Aguardam a hora do amor. Que fazer, se o fato Curte alarme em pó? Me mataria se não me atingisse A A lma à queima-roupa,  Compartilhando-a.

COMO PEIXE-PÓLEN

...Sempre aparece e deixa marés no pensar. Se um poema voa ao norte da ilha, deixa-o voar como pólen de alma. Mesmo inconstante, sabe ousar corais que guarnece de infindos cais. O Silêncio traz.

ROUCA ALMA

Rouco ser eu lego. No solo escrevi Poemas com ego. Não liga pra isso, É de poetas vício Cego, dores curvo, E assim nadando Dissonantes sons, Vou ensurdecendo Minha idade média Com renascimentos. Perco os recheios Da alma, seu selo, Com a casca ao meio, Rouco ser trafego.