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PRA LAVAR ENTRE ALMAS

Plim Plim. Choro. Lavar toda a febre  entre as unhas. Esfregar em sabonete  o lirismo. Tirar os rastros  de salgadinhos. De cachorro-quente  deixado frio. Deitar no sofá rangente, molas  perfurando as costas. Pegar o copo  no chão  com o café gelado e ruim. Olhar a TV  com tela plana a pagar  ainda em treze prestações. Tantos tintos discursos na TV! Pensar na ração,  no imposto com sumo. E no consumo  ainda não imposto. Pronto: um creme  pra lavar entre almas: LIMPOIESIS. Sorriso.

DANÇANTE POEMA

A carne amolece o tempo onde o homem se esquece atrás de uma nódoa feliz pra descansar e sofrer em falso de antes da criação vem isso, toda uma história de vencer. O mar, vencido, espuma, bêbado, meu relâmpago de pensar recomeços. Sou maremoto de desesperanças. Sou como um azul de leveza branca.  Sou um poema que dança muito.

AO ÚTERO

O que virá depois? Depois de matarem o títere, O último clítoris, Em um desses países Onde os líderes choram, Veneram naturezas mortas. Talvez dê esperança e víveres. O imaginar o carrasco No reino ou república Sem pescoço.

DEFENDER A PROPRIEDADE DA COSTELA

Se tudo começou como um roubo se alguém cercou um terreno ou tomou veneno e foi cercado ou teve suas crenças atadas pelo poder sacralizado como defender o patrimônio a propriedade da costela o emprego dos dentes caninos em morder o íntimo e o fora sob o direito que interpela com rodelas políticas em seu prato?

FICÇÃO-ALMA

Dois toquinhos de cigarro no cinzeiro à minha frente, a seu lado um lápis de olho de filhas olhudas pra doces, uma caneta deitada perto ama lápis de olho, e até trocaria de função não fosse o medo de cair nos mares da vista, e se nadar soubesse em olhos com lentes mergulharia, assim usaria  as lentes como bóias pra salvação da ficção-alma

OSSADAS DE ÁGUAS

Há ossos como os da alma que não se quebram fácil há ossos de árvore que deitam flores há ossos de estrela que deitam luz como fazem almas que não se curvam fácil ossos há no corpo do vento esclerosado parou no ouvido das folhas com ossos que ninguém nota estou pisando sempre nas ossadas das águas da chuva disto