Pular para o conteúdo principal

Postagens

TEMPO AO LADO

Os cabelos sobre os ombros o poema espalha-os na nuca dos segundos o cheiro dela educa e assanha o nariz súbito bebe água ela e um pouco molha a boca entre as pernas e reza o amor o sonho enquanto passa o trem enquanto latem carros acendem os olhos da tarde que se acaba nela no ponto os cabelos alongam anseio e sedução e o poeta não é notado por isso o poema a lava a faz mais bela que o tempo ao lado

INDO AO AMOR

Indo ao amor sonhando ardendo tonto o amante cresce em paisagens novas vibrando nele o vento uivando entrega o corpo e a alma junto sem essa de morrer ou sim se a morte for viver até o talo de amor sem fim e desce e sobe e mede-se por jovem embora velho como um tapete intenso e cego aos pés do jogo onde se perde encontrado

MAIOR

O que faz maior um poeta bom ou mau fundamental talvez um bloco ou dois a mais ou sal com doce amor no parietal abdominal central um deus se faz poeta com nós nos braços de estrelas na quilha ou no varal de ouro sua tez brilha de ouropéis um tal caminho ou tao neutro variado inteiro ou parte do bem que leva ao mal ou mal que leva ao mar sem grupo ou grupal um bom poeta é o que o leitor completa normal ou anormal

PELE A RETINAR

Isto existe sem olhos? Olhos percorrem quando abertos. Delimitam. Julgam. Condenam. Olhos são os mocinhos. Olhos fechados ainda olham? Através da mente. Mas a mente são olhos? Olho é mente? Olho mente? Olhos remetem ao fluxo das coisas. Olhos inserem o eu em outros sujeitos. Se eu morro, olhos são cerrados, e o outro obscurece? Olhos dispensam pestanas. Olhos dispensam o piscar. Olhos são dispensáveis. Olhos são indispensáveis. O olhar caminha verdades visuais E mentiras coloridas. Sofro quedas quando me olham. Por vezes, me levantam com um olho só. Amigos e amores outros Olham contaminados de afeto E desenxergam. Ou veem O fundamental com olhar mudo De conceitos. O amor é olhar. Olhar? Ou pele presa em retinas?

CRESCEI......E MULTIPLICAI-VOS

Pisando os cascos, aluno mata  a professora  com um caroço  de papel em quetichupe. O Poder Conquistado nas Urnas come cachorrinhos de madame  e usa filhos de empregadas em fotos  eleitorais . Aos olhos dos leitores que nos curvam, metralhadoras cotidianas turvam e travam. É o Éden, não é?

SOBRE TOPADAS E ARTES ANTIGAS

Lembro da camiseta em tinta látex. O que quis com esse gesto? Um dos times era de camiseta vermelha. Peguei o látex e passei na camiseta branca. Ficou dura como armadura. Lembro de atravessar o vidro E a Idade Média E banhar de sangue o chão. Uma moça chorou por mim, Donzela negra no Schmidt, A carne talhada em rubis Queria apenas ultrapassar o vidro E seguir Mestre Rangel Simões Mago dos Livros Moventes A topadas no campinho da lira. Muitos não viram minha armadura. Mas Airinhos sabe, ele e seu pai, Sábio de Cuipaitaã, onde há Uma pitonisa ou vestal solar Naquele mendigo de ébano. Sua bengala não divide o Mar Vermelho Das indiferenças. Tudo mundo já disse isso. O tempo passa e ninguém muda. Lembro de adivinhar triângulos Debaixo das saias das moças. A tenda crescia sem cerimônia. E não havia dunas que escondessem Minhas vergonhas...vezes as esfreguei...