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TODANJO CÃODENTRO TEM

Um cão é mais útil que um anjo? Dei contas a um que me impuseram. Deslizei no canto fácil do verso. Caí aqui. Contratei um cão. De longe. Claro que ele quer minha alma. Mas não a dou.  Lhe manjo. A daria a Goethe que o criou. Velho mar(m)anjo cãotante, Todanjo  Cãodentro tem? Goethe era Fausto  Quando Werther? Não, era um cão sábio O homem. Criou canis de verbo infernais. Um cão é tão útil quanto outro cão? Um anjo de vez em quando late. O menino de onze anos Só queria amor.

GEOLOGIA CARNÍVORA

Aquela rocha desde sempre Fascinada pelo filho Do vento e da chuva Um dia lhe falou, Enquanto ele a desgastava: - Dos teus olhos/intempéries Em minha geologia de carne Cresceu alma de musgos. Da tua libido/belezura Em meu degredo Cresceram Escorregadias estrelas s em mar. Se a lâmina de teu ser Me tremeu o precipício Em terre(amor)oto, A erosão que me fazes É causada pelo quê?

SOB T.M.

Éramos assim. Não tão. Um talento para inimigos. Um talento incomum. A Poesia Quando aparecia Era nossa faca E nos sangrávamos, Uivando, Sob o tesão das musas.

POESIA COM COLESTEROL

Confesso que não cheguei  A dizer tudo, Quando disse  Um pouco do que me veio.... Confesso que cansei... Mas, vejam, sou das selvas verbais. Não caía bem o nada linguístico. E quando falo pouco, o verbo é longo. A vítima tava ali à mesa. Ostentava um lindo ventre/mar. Nunca vi coisa mais linda.  Minha quilha acelerei.  Afundei. No ventr'amar de Melpômene. E gerou-se a Poesia Com Colesterol.

SELVAS GRÁVIDAS

Não há barris de carvalho. Nem sequer de tábua velha. Nesta festa de enxovalho. Não há os de dentes falhos. Só há os egos azedos De torturados pensares. Suas noivas de buquês Banham-se na idade branca. Entram cheiros no nariz. Com tez barroca fala um sujeito. E eu só acredito no bem-mal. Amanhã, crerei no mal do bem. Por que me convidaram pra essa mesa? Fazem mil poses, e eu também faço. E me invejo da companhia. Pode? Acabo declamando Pound em fôrma, Depois de ser servido com levedo E com leveza de sábio natureba. Por serem partidários...do que? Ouvem coisas bárbaras, simples. Falam putarias, amistosos. Fazem filhos nas selvas. Dá uma certa paz ver selvas grávidas.

O BRILHO E O SANGUE

Buda falou sobre o zen dos olhos. O brilho bem mais vale que a pele. Também Marley falou e o Tudo é isso: O brilho vale mais e a tudo excele. A raça humana vale muito e é ouro. A cor da pele com o tempo é sal. O brilho vai durando e apura estrelas. Todos os povos brilham olho igual. Resisto a ver   o que reluz metade. Só cresço vendo a luz universal. A guerra tem a pele esquisita Por ser todo o seu sangue Opaco Mal .