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CISCO NOS OLHOS-LEITORES

Ficarei aqui, oxidado de signos estéreis. Ficarei aqui sem arquitetura. Mal "rollo". Esvaindo enquanto galho de comunidades De escritores-doutores. Mal "rollo". Vontade de chão com meu grafema-gravidade. Vontade de raspar nelesinsetos a sola d'alma. Há uma infâmia em compartilhar-lhes as virtudes Que não possuo a não ser como cacos colados. Tenho ciscos nos olhos-leitores que conquistei.

OUÇO-ME PARA O NUNCA

Há um cansaço de andar aqui dentro. É preciso força nas pernas deste dia. Excesso de folhas amassadas nos meandros. Está o poema entre o espaço e o não-de-pensar. Como estou a me falar sem pensar, Ouço-me para o nunca e o jamais.

CARTA ATROPELADA

A carta de amor atropelada perto de uma mão rígida e de um corvo no trânsito onde erigiram uma praça na qual dormem assassinados escuros é um sinal de que nem tudo termina como se prevê em nossa floresta.

O VERSO VEM LUNAR

Uivaria para a lua  e assim honraria a família de lobos com crateras no focinho. E não haveria sabor  e eu ficaria mais licantrópico vermelho  embora a aurora me roubasse o rubor. A parentela está estendida e se irrita pois nego a febre que insiste em escrever-se. Tenho de ser mais hífen menos circunflexo em meus uivos, digo-me, pra honrar aquele bisavô que me disseram misto de lobo e safado. Penso de novo nos pelos do retrato. O verso vem lunar,  uma mulher independente e doce.

A PÃO E MÁGOA DE VERDADES

Quando me atirou no rio, Meu pai queria eu lutasse, Que eu aprendesse o nado, E ferisse ao dar a face, Quando me lançou das pedras E me escondi sob a casa, Queria que eu crescesse, Assim como em Pedras Se Indo, Um filme muito sucinto. Quando me descarregava Acima do seu pescoço, E de lá me atirava No abismo ao sul de Cnossos Era pra que aprendesse Os vôos de antigo Dédalo Na alma do filho intrépido. E das vezes em que fez Rastejar-me na parede Me preparou para Kafka. Quando me deu às mulheres Da Zona do Cais do Porto, Queria que eu aprendesse Com meu pau de rijo estofo Sobre o Teatro da Estrada, Sobre as delícias da Pele E seu orgasmo-em-palavra. Até hoje escrevo em tábuas, Ouvindo-voando e uivando, Principalmente rangendo, Com sede, a pão e mágoa De verdades desfazendo.