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A UMA FORMIGA APOSENTADA

- Absurdo - diz-me a crítica nauseante de recheios sãos, em uníssono. Eu falo: - A técnica é necessária, sim. Sim mas Não. Sou um eco, carburando dores. Sou insano, como o estômago do lixão. Minhas flatulências ontológicas e homéricas destronam reis lears e assumem o reinado do mau gosto. Ela veio até mim querendo que eu ensinasse o segredo do brilho em meus olhos. Ela veio até mim com o útero como lança. Eu fui até ela carregado de antigas presas mastodônticas, havia dentes e retalhos de pele em minhas unhas. Já havia retalhado a carne nos rochedos, até atingir o fígado de Prometeu. Ela veio até mim, inocente do ser primitivo e dos deuses que eu havia devorado. Ela desconhecia meu poder antropofágico, as virtudes menores que os defeitos que arrebatei. Um certo orgulho no calombo das costas, uma vaidade descomunal nas costelas, meu andar torto de ator de mambembe. Ela não notou minha sede, minha fome. Apenas queria o fogo de Prometeu. Por quê quando eu subi as escadas e bati à janela,...

CISCO NOS OLHOS-LEITORES

Ficarei aqui, oxidado de signos estéreis. Ficarei aqui sem arquitetura. Mal "rollo". Esvaindo enquanto galho de comunidades De escritores-doutores. Mal "rollo". Vontade de chão com meu grafema-gravidade. Vontade de raspar nelesinsetos a sola d'alma. Há uma infâmia em compartilhar-lhes as virtudes Que não possuo a não ser como cacos colados. Tenho ciscos nos olhos-leitores que conquistei.

OUÇO-ME PARA O NUNCA

Há um cansaço de andar aqui dentro. É preciso força nas pernas deste dia. Excesso de folhas amassadas nos meandros. Está o poema entre o espaço e o não-de-pensar. Como estou a me falar sem pensar, Ouço-me para o nunca e o jamais.